segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Recomeços

Eu já nem sei mais se quero todas essas minhas cicatrizes como exemplo quando for de encontro ao que me espera.

Elas me constituem, mas não me dominam. Ou não podem me dominar.
O que eu estou afastando de mim quando as escancaro dizendo "olhe todas as minhas dores"!? Elas já são cicatrizes, não há quem vá sumir com elas...

O que me impede de eu apostar? Em todas as outras já perdi o prêmio final...
Mas aí eu pensei: quem dita o prêmio final? O prêmio e as dores foram todo o processo. As batalhas, as lições, as lágrimas e as gargalhadas. Os tropeços, os desafios, os berros e os silêncios.

O que que eu quero senão a nova chance de dar nova chance ao velho sentimento? Coração tá aquecido e amedrontado.
Inseguro. Desconfiado. Em estado de alerta. Perdido na dúvida. Enfrentando o amanhã tão certo de incertezas. Carregando passado demais.

Mas de repente tão afim de desvendar novos segredos. De descobrir novos sentidos. De inventar novas histórias. De trilhar novos caminhos. De sonhar novas conquistas. De chorar novos motivos. De sorrir novas vontades. De amar novos defeitos.

Pelas desventuras passadas, que se não as fossem, não haveria o hoje, estou girando ao redor de mim mesma. Procurando manter-me, ao menos, no eixo...

Esperando que o ontem não seja mais usado como culpa pro amanhã não existir. E muito menos esquecido. O que quero mesmo é que ele seja motivo pro amanhã ser diferente. E que eu, mais do que ninguém, permita isso.

Velhas novas venturas. O vento as traz.

Um comentário:

  1. "Esperando que o ontem não seja mais usado como culpa pro amanhã não existir" que frase incrível

    ResponderExcluir