Ninguém perguntou se ele queria
Ficar em exposição na galeria
Mas foi colocado assim mesmo
Dentro da gaiola estava a esmo
Quando sua história alguém ouviu
Um novo pensamento então se abriu
Tamanha sua vida indefesa
Longe de sua própria natureza...
"Quanta gente livre me olhando
Alguns fotografam admirando
Há quem nem me note de verdade
Outros querem o preço e a validade
E a minha vida segue assim
Não tenho um começo e nem um fim
Fico à espera engaiolado, acorrentado, enjaulado, enlaçado
Pra quando por alguém eu for levado
Compor um ambiente decorado
Ser um quadro, um alarme, ou um pelúcia animado
Um investimento muito bem aplicado
Mas vocês se encontram na razão
Sustentam-se na tal evolução
Que faz de outra vida o que bem quer
Submissos querem os bichos, os pretos, os pobres e a mulher
Sorte que elas hoje estão gritando
E nós infelizmente só aceitamos
Não temos muito a quem nos ouvir
Quem ouve é rotulado imbecil ou sonhador
E eu vou seguindo assim mesmo, oh minha dor
Quando encontro alguém a quem me ame, oh meu amor
Entrego e confio até o fim, cuida de mim
Que dó tenho dos outros que não tiveram o mesmo fim
Vidas mortas em função de mil festins
Isso é um latido, um canto, um miado
Isso é um relincho, um mugido, um piado
Isso é o som que cada um de nós fazemos
Isso é um pedido de ajuda, muitos sofremos
Mas ainda assim minha vida entrego nas mãos tuas
Se essa é a vida que há pra mim, sigo a missão
Só desejo que o amanhã seja assim, não"
Quando essa história alguém ouviu
Um novo pensamento então se abriu
O que faço dessas vidas indefesas
Longe de sua própria natureza?
Não gosto de ser um explorado,
Mas se eu puder, sem perceber,
Exploro até o irmão ao lado.
O que faço dessas vidas indefesas
Longe de sua própria natureza?
Entregues suas vidas em nossas mãos
Isso é o que chamamos evolução?
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